Projeto Cine Creche 

 A Pequena Sereia

 

Desenvolvido por

  

 VIVIANE COSME DOS SANTOS

  

 

Projeto destinado ao

 “Prêmio Qualidade De Vida”.

 Na Educação Infantil – 2001”

 

São Vicente, 27 de junho de 2001.

 

 
Agradecimento
 
A todos que nos ajudaram direta ou indiretamente.

A Sociedade Amigos do Museu do Mar que nos liberou a entrada, ao Aquário Municipal por ter nos recebido calorosamente, ao soldado Marcus que cedeu  sua delegacia para o  nosso almoço durante o passeio e a equipe inteira da Creche Toquinho de Gente que batalhou muito para mais esta realização.

 

1.             INTRODUÇÃO

 

A educação não acontece só nas escolas. Todo ser humano é um educador.

“Educamos o outro enquanto educamos a nós próprios”

Devido ao baixo nível de aprendizagem, violência no lar, drogas, etc., o educador não esta dando o devido atendimento a cada estudante, sendo que as atividades ficam limitadas  ao nível mental com memorização de informações pouco importantes para a vida real.

Faltando atividades criativas e trabalhos práticos em que cada aluno possa expressar seu potencial .

O aluno não deve ser apenas receptor, mas também criadores do conhecimento. Deve ter possibilidade de transformar a sua realidade imediata. Testando e aplicando cada porção do conhecimento que recebe. Não há aprendizado se ele não se traduz na prática, em um compromisso solidário com a vida ao nosso redor.

Cada instituição educacional deve desenvolver programas que ensinem seus alunos e professores, a serem criativos e solidários com os desafios concretos enfrentados pela sociedade ao seu redor. Muitos já estão fazendo isso, por isso aceitamos esse projeto, e escolhemos como tema Cine Creche, escolhendo o filme a Pequena Sereia.

Fornecer as nossas crianças atividades que ampliam seu conhecimento com um equilíbrio de atividades extras, pois as mesmas são de lares pobres e problemáticos, pais que trabalham e mal tem tempo para se dedicarem a elas.

Ao desenvolver este tema queremos, através da criatividade, desenvolver conhecimentos, fraternidade, ser útil para com o próximo, participar democraticamente de sua comunidade, e se preparar para seus estudos mais à frente e expandir a consciência das crianças em direção a uma vida mais feliz.

2.             DESCRIÇÃO DA SITUAÇÃO ANTERIOR

  

O projeto inicial do Cine Creche era fazer com que as crianças assistissem a um filme infantil tendo a sensação de estar num cinema. Para que isso fosse possível, transformávamos a sala. Cobríamos as janelas para escurece-la, arrumávamos as cadeirinhas em fileiras, aumentávamos um pouco mais que o normal o som e distribuíamos no decorrer do filme saquinhos de pipoca doce para todas as crianças. No começo transcorreu muito bem, mas passou a ser só mais um projeto informal, não estávamos focados na parte pedagógica, queríamos entreter as crianças “no cinema”, mostrar-lhes o que muitas ainda não conheciam. Começou a se perder o interesse tanto por parte das auxiliares como das crianças.

O Cine Creche passou a se transformar num habito, terminavam-se as atividades pedagógicas e lá iam as crianças para frente da televisão, para mais uma sessão de cinema, agora sem mais aquele ritual, não se arrumavam mais as cadeirinhas, a sala não mais escura e o sem o saquinho de pipocas.

Analisando a atitude das crianças, comecei a perceber que elas não se interessavam mais pelas histórias e muito menos pelas figuras animadas. Algumas vezes, quando iniciávamos o filme, prestavam alguma atenção, mas aos poucos começavam a se dispersar, alguns conversando, outros pegando algum brinquedo ou fazendo do próprio sapato uma diversão. Eram poucas as que realmente assistiam o filme e mesmo assim não conseguiam escutar a história por causa dos burburinhos que os colegas faziam. Acabava a sessão e, mais um filme que tentamos assistir com as crianças.

Essa atitude de apenas “ver” o filme não estava acrescentando nada as crianças, apenas divertindo-as.

 

3.             OBJETIVOS

  

Usar os recursos naturais da região, o mar, através de excursões, desenhos, artesanato, comparado com o filme assistido – A Pequena Sereia, levando as crianças a observar, interagir com a situação exposta, descrevendo o que vêem e relacionando com o cotidiano e interagindo com o grupo, sabendo relaciona-se com as pessoas, ter boa vontade durante a vida e respeitar a natureza, preservando-a.

Oferecemos também condições para que as crianças utilizassem os recursos áudio visuais como forma de ampliação do vocabulário, despertando a memorização, atenção e o interesse pelas historias infantis; compreendam melhor o mundo que a cerca e as inter-relações que nele ocorrem,vivenciem e comparem as relações entre a fantasia e a realidade, ampliem o vocabulário, desenvolvam a coordenação motora, utilizem recursos que favoreçam sua percepção e personalidade, percebam a relação entre o homem, ambiente e educação ambiental e percebam a importância da cooperação nas relações humanas para seu desenvolvimento social e afetivo.

  

4.             DESENVOLVIMENTO DO PROJETO

 

Como professora de pré-escola, tinha um certo preconceito com as crianças de creche, geralmente eram as que mais davam trabalho e as que menos se viam resultados. Na questão dos pais, sempre eram os mais ausentes. Dentro da sala de aula não percebia como era a vida da criança lá fora, sua família ou a condição em que vivia, me preocupava com a parte pedagógica e com o planejamento que eu tinha que seguir, praticamente cada criança que entrava era apenas mais uma na sala de aula.

Quando fui convidada a trabalhar em creche, jamais havia pensado no quão é imenso e prazeroso este trabalho. No início me achava perdida, queria resolver todos os problemas de uma só vez até me acostumar à nova situação. Comecei a perceber os erros que havia cometido ate ali, e perceber como havia sido preconceituosa e incapaz de entender o que acontece com estas crianças, o motivo de serem “diferentes”. A ausência dos pais, na maioria das vezes, não é pela falta de amor ou de interesse pelo filho, mas pela vontade e preocupação de não deixar lhes faltar o pouco de cada dia.  A maior parte das crianças que freqüentam a creche é de baixa renda, onde as mães trabalham como diaristas para ajudar no sustento da casa, são poucas as que têm um nível de aprendizado superior ao primeiro grau e a grande maioria é semianalfabeto.

Baseada nestas questões começou a me preocupar a parte social das crianças. Quantas delas deveriam conhecer um cinema, um aquário, um horto?

Como na creche não tínhamos como promover diversos passeios, já que não temos verbas destinadas a este fim, pensamos em trazer  alguma atividade para dentro da creche, e a que mais  se enquadrava nas nossas condições era o cinema, já que tínhamos os instrumentos principais o vídeo e a televisão.

Começamos então com as sessões cinematográficas, no início foi um sucesso, mas percebia que estava faltando alguma coisa, as crianças tinham necessidade de mais, não estavam tão empolgadas como no início, não era apenas assistir o filme, faltava à parte pedagógica.

 Foi então que tivemos a idéia de agrupar de forma agradável à educação com a parte social e emocional. Escolher um filme e aproveitar ao máximo sua mensagem e o seu conteúdo, levá-los para descobrir essa realidade e desenvolver atividades relacionadas ao tema inicial com tarefas específicas a cada turma.

O resultado foi impressionante,  a comparação da fantasia com a realidade,  a descoberta de que os personagens da historia existiam na vida real, deixaram as crianças maravilhadas.

O mais gratificante foi poder ver o brilho no olhinho de cada um, a surpresa em cada rostinhos e ver realizada mais uma meta.

 

 

4.1.Cinema

 

Videoteca preparada para o Cine Creche.

 

Para a realização desta parte do projeto preparamos a sala de vídeo com cadeirinhas enfileiradas, cobrimos a janela com cobertor para escurece-la bem e aumentamos o som da televisão.

Conversamos com as crianças explicando como é o cinema e que estávamos fingindo estar em um, assistiríamos ao filme da Pequena Sereia e eles teriam que prestar atenção para procurar o que haviam visto nos passeios. Iniciamos o filme após a conversa informal.

Fizemos um pequeno intervalo para que as crianças pudessem fazer seus comentários e aproveitamos para distribuir saquinhos de pipoca doce.

Demos continuidade ao filme sem qualquer problema. Quando o filme terminou teceram seus comentários e comparações sobre os animais que viram  no decorrer do filme e nos passeios.

O resultado foi incrível, prestaram tanta atenção no filme que não pareciam às mesmas crianças de antes, permaneceram atentas e deslumbradas com os personagens do filme, faziam pequenos comentários no decorrer do filme , mais logo voltavam a prestar atenção na historia.

 

4. 2. Passeios

 

Levamos as crianças para conhecerem lugares relacionados ao fundo do mar, como o Aquário Municipal de Santos, o Museu do Mar e a praia.

 

 

Aquário Municipal 

 

Entrada do Aquário Municipal

O primeiro lugar que visitamos foi o Aquário Municipal de Santos onde as crianças puderam ver de perto alguns animais marinhos como: lobo marinho,  tubarões, peixes de varias espécies,  moréias,  pingüins, tartarugas, siris,lagostas, etc.

Em cada aquário que passávamos ensinávamos o nome dos animais para as crianças, identificava o peixe, que muitas vezes ficavam escondidos, mas tinha um aquário que chamou muito a atenção delas, pois nele não havia peixes, nem nenhum animal marinho, no aquário existia pneus, garrafas, latas ou melhor “lixo humano”, as crianças ficaram surpresas e comentaram muito sobre isso, dando-nos a oportunidade de estar desenvolvendo ainda mais a consciência para a preservação da natureza.

O passeio foi bem produtivo as crianças alem de ficarem encantadas com o que puderam ver, fizeram muitos comentários e várias comparações entre os animais que viram e os personagens do filme.

 

As crianças no aquário de diferentes espécies de peixes.

Aquário dos pingüins.

 

Museu do Mar

Entrada do Museu do Mar.

 

Em seguida fomos ao Museu do Mar, onde as crianças assistiram a um vídeo sobre o projeto Tamar, conheceram e puderam tocar nas barbatanas e na mandíbula de um tubarão, conheceram alguns ossos de baleias, puderam observar vários tipos de animais empalhados como algumas espécies de tubarões, peixes e até algumas aves que se alimentam de seres marinhos como o albatroz e a gaivota. Durante todo o passeio, as crianças foram acompanhadas por um monitor que explicava e mostrava todo o acervo do Museu.

 

Praia

 

Nossa parada na praia foi muito rápida, pois as crianças estavam exaustas e algumas dormiam.

Aproveitamos para ressaltar que todo os animais que vimos nos passeios anteriores, vivem nela e no mar. Aproveitamos também para falar de como devemos preservar o meio ambiente.

 

4. 3. Atividades dirigidas

  

Desenho Livre

 Após a apresentação do filme e dos comentários e comparações, as crianças voltaram para a sala de aula. A professora (auxiliar) entregou uma folha de sulfite e lápis de cor para que cada criança fizesse um desenho livre sobre o que havia visto no filme e nos passeios.

Os desenhos foram bem diversificados, as crianças desenharam alguns personagens a sua maneira, e sem muita dificuldade na lembrança de cada um, desenvolvendo bem a criatividade e a memória.

 Material utilizado: folha de papel, lápis de cor e criatividade.

                           

            

Rodrigo - 5 anos                    Martha - 4 anos                    Willians - 5 anos

   

Crianças do nível III, desenvolvendo a criatividade no Desenho livre.

 

 

Painel com tinta

 

A auxiliar dividiu a turma em grupos de quatro e distribuiu uma folha de cartolina a cada grupo, pediu que desenhassem, utilizando os dedinhos e a tinta, os personagens que eles lembravam da história ou algum animal que viram no do passeio.

A atividade foi bem desenvolvida pelas crianças que utilizaram a memorização, a espontaneidade, a criatividade e a coordenação motora fina.

Material utilizado: folha de cartolina, tinta guache com as cores primárias.

 

         Crianças do nível I, desenvolvendo a criatividade e a motricidade, utilizando o dedinho na pintura.

  

Polvo

 Foi utilizada uma garrafa descartável cortada ao meio, e em tira laterais. A mesma foi entregue as crianças que teriam que dobrar as tiras da garrafa dando a forma dos tentáculos do polvo. Após esta etapa as crianças utilizando a tinta guache fizeram os olhinhos e a boca com tinta, utilizando os dedinhos.

As crianças demonstraram uma ótima coordenação motora no desempenho da atividade, não sentiram muita dificuldade em executar a seqüência pedida pelo professor.

Material utilizado: garrafa descartável, tesoura e tinta guache com as cores primárias.

Resultado final do Polvo, produzido pelo nível II.

 

Massa de Modelar

Após uma conversa informal, sobre os crustáceos e relembrando os passeios,foi entregue as crianças uma porção da massa, que elas coloriram com guache, da cor que quiseram. Amassaram bem a massa com a ponta dos dedos, para ficar uma mistura homogênea, logo após, as crianças começaram a modelar as massas, formando figuras como estrelas, conchas, polvo, etc.. assim que a massa secou colamos ima atrás de cada figura e transformamos os trabalhinhos em enfeites de geladeira.

Com esta atividade percebemos que, quando direcionamos a tarefa, as crianças desenvolvem muito mais a criatividade. Não foi exigido que fizessem alguma coisa especifica, mais algum ser relacionado com o filme e o resultado foi surpreendente. 

Material utilizado: massa de biscuit (feita com cola), tinta guache.

 

As crianças finalizando suas peças.

 

 

Móbile

        A professora conversou com as crianças explicando o que iriam fazer e relacionou as figuras do móbile com as que viram no museu.

As figuras forma recortadas pela professora e entregue as crianças para que pintassem com o giz de cera, em seguida a professora com a ajuda das crianças montou o móbile.

 Material utilizado: palitos de churrasco, linha, figuras de peixes e estrelas do mar e giz de cera.

 

Pintura das figuras com giz de cera.

Resultado final da atividade

   

Quadrinho de Dobradura

 Para cada criança, foi entregue figuras como estrela do mar e algas marinhas e dois triângulos, para que com a ajuda da professora formassem um peixe e o fundo do mar. Aproveitamos para falar da preservação do meio ambiente pedindo para que fizessem o que viram de mais bonito no aquário. Logo depois a professora colocou potinhos com tinta azul para que fizessem o mar.

Material utilizado: papel colorido, papel sulfite, cola, tinta guache azul.

 

                        

Fernanda – 4 anos                             Natanael – 3 anos

Fazendo com a tinta guache o mar.

 

5.             TÉCNICA EMPREGADA

 

Através do filme “Apequena sereia”, as crianças foram estimuladas a falar sobre o que viram no aquário e no museu do mar.

Falaram sobre seus sonhos relacionados com o filme, sobre ecologia e como cuidar do mar, dos peixes.

Fizeram varias atividades desenvolvendo a criatividade, trabalhando em grupo, fortaleceram os laços de amizade e amor ao próximo.

A técnica serviu para a avaliação final, sendo tabulada as respostas.

  

6.             FORMA DE AVALIAÇÃO

 Filmagem de todas as atividades para uma analise qualitativa do projeto. Anexo em vídeo.

Para avaliarmos o resultado do projeto fizemos três perguntas direcionadas as 40 crianças oralmente:

 A.    Qual o animal que mais chamou a atenção no filme?

a)    O caranguejo – o Sebastião;

b)   O peixe – Linguado;

c)    O albatroz – Sabidão;

d)   O polvo – a bruxa do mar.

As crianças lembraram de todos, citamos esta seqüência de acordo com o que foi dito por elas.

B.    Em que lugar vocês puderam observar melhor os personagens existentes na história ?

a)   No aquário;

b)   No museu;

c)   No filme.

 Escolheram o aquário por poderem observar de perto os animais.

 C.     o que observaram no Aquário que não existia na historia?

O lixo que havia em um aquário, cheio de garrafas, pneu, latas, etc.

 Foram consideradas todas as respostas certas como as que foram relacionadas com o filme.

 

7. RESULTADO GERAL

 As 40 crianças responderam com exatidão as perguntas feitas e

fizeram mais comentários sobre os passeios e as atividades.

No filme observamos 100% de participação.

Consideramos a atividade desenvolvida eficaz para as 40 crianças, com 100% de assimilação dos objetivos propostos.

 

 8.             CONCLUSÃO

 As crianças conseguiram identificar os personagens, relacionaram os assuntos, identificaram mudanças na vida dos personagens, emitiram opiniões baseando-se na sua experiência, localizaram onde e quando acontece a historia.

Com isso provamos que apesar de muitas crianças viverem na miséria, onde podem até morrer e se tornarem assaltantes, o ser humano necessita de contato com o infinito. Por isso as atividades nas escolas e creches deveriam ser ensinadas conforme a sua utilidade para que se alcance objetivos sociais e individuais concretos – paz, saúde, felicidade, equilíbrio ambiental e justiça social.

As atividades escolares devem ser exploradas para que cada aluno possa expressar seu potencial, para isso devemos usar todos os recursos, com outras disciplinas, tais como excursões, hortas, defesa ambiental, ecologia, judô, capoeira, etc. para que se alcance os objetivos e o interesse seja despertado e a sua percepção pessoal passe para uma visão mais abrangente a partir do conhecimento e assim se envolver com a comunidade e o ecológico na sociedade.

Se pudermos compreender essa condição básica, podemos torná-la um hábito em nossas atividades, assim estaremos contribuindo para o desenvolvimento de nossas crianças.

  

9.             BIBLIOGRAFIA

  a.    Paulo Freire. Educação e Mudança. Editora Paz-1983.

b.   Edgar Morin. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. Cortez Editora.

c.     Walt Disney. Filme “A Pequena Sereia”.